NOVO
CÓDIGO DE ÉTICA VAI REGULAR PRESENTES DADOS A MÉDICOS
Por Angela Pinho
O CFM (Conselho Federal de Medicina) está em processo
de discussão de um novo código de ética médica.
Uma das propostas pretende regulamentar a distribuição
de presentes e o pagamento de almoços e passagens a médicos
pelas indústrias farmacêutica e de equipamentos hospitalares.
Para Roberto Dávila, presidente do conselho, deveria haver
a proibição total desses benefícios. "Sou
contrário até ao recebimento de amostra grátis.
Como o princípio maior da relação do médico
com o paciente é o benefício [ao paciente] não
posso deixar que o meu agir também seja [focado] no meu
interesse pessoal'', afirma.
Outras propostas polêmicas também estão em
debate, como a ortotanásia, que garante o direito à
suspensão do tratamento de pacientes terminais sem chance
de cura, desde que haja o consentimento expresso da família
ou, se possível, do próprio enfermo.
O tema está, atualmente, no centro de um embate judicial.
No ano passado, a Justiça Federal suspendeu, por meio de
uma liminar, a resolução do CFM que autorizava o
procedimento. A decisão final ainda não saiu, mas,
caso o teor da liminar seja mantido, o conselho promete recorrer
ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Uma das idéias em debate é incluir, no novo código,
o dever do médico de respeitar o chamado "testamento
vital'' do paciente -documento no qual ele registra seu desejo
de interromper ou não o tratamento caso esteja em estado
terminal e sem possibilidade de cura.
O padre e especialista em bioética Léo Passini,
que participa da comissão que irá redigir a regra,
ressalta que é preciso distinguir a ortotanásia
-suspensão do tratamento- da eutanásia -indução
à morte.
"O que precisamos é proteger o paciente da obsessão
terapêutica'', diz ele.
O novo código de ética deverá ainda fazer
menção ao direito de greve dos médicos e
tratar da regulamentação das pesquisas com seres
humanos.
Questões como o aborto também serão discutidas,
mas não devem entrar nessa versão do código,
diz Dávila. "Temos [no conselho] tendências
progressistas, mas não podemos esquecer que estamos presos
a regras mais conservadoras [as leis brasileiras]'', fala.
A próxima rodada de discussão acontece em fevereiro
do ano que vem e a versão final da norma deve ficar pronta
em agosto. A aprovação do documento é feita
pelo CFM e pelo presidente dos conselhos regionais do país.
O site do conselho federal (www.portalmedico.org.br) receberá,
até o fim do ano, sugestões e propostas dos médicos.
Fonte: Folha de São Paulo, em 09/10/2008